sábado, 12 de setembro de 2009

Setembro

Setembro Chegou como um trovão. Chegou como uma ventania, uma tormenta daquelas que quando começam parecem não ter mais fim.
Setembro chegou com perdas e ganhos. Vitórias e quase-derrotas. Quase porque felizmente por muitas vezes sentimentos e gestos falam, dizem, gritam mais do que mil votos, palavras e, nesse caso, votações.
Setembro veio com a ausência da presença. Veio com sumiço e aparecimento. Ressurgiu com fotos, sorrisos tímidos e uma certa melancolia.
Trouxe consigo conclusões. Trouxe consigo a mão estendida. Uma foto. Um vídeo. Um olhar. Um sentimento. O despertar.


Preocupação.
A certeza da vitória e a perda do chão e a falta de ter um consolo faz às vezes você parar para analisar e através de gritos de silencio implorar por atenção.
Certas vezes na vida acredito eu que muitos de nós, já nos sentimos sozinhos.
Ninguém nessa vida vence e vai além sozinho. Sabe-se que um dos maiores medos dessa sociedade é o da solidão. Infelizmente as amizades de hoje rapidamente se desfazem, são temporais, não-duradoras, os casamentos por muitas vezes nas primeiras adversidades que os casais enfrentam são rompidos. Amigos, amantes, amores. Raridades. Quem tem hoje em dia ao menos um amigo, um amor, deve sentir-se realizado. Conquistar o coração de alguém nesse mundão de bilhões e bilhões de habitantes, ter a certeza de que quando você mais necessitar gritar a pessoa estará lá para te escutar é quase uma dádiva.
E como fica quando as mãos que nos abraçavam, os ouvidos que no escutavam, a boca da onde saiam palavras de amor, conselhos, beijos molhados, a respiração que nos acalmavam, os olhos que se encontravam, a certeza que se experimentava, a duvida que se apagava e o medo que se abandonava um dia como em um passe de mágica “pum”. Tudo se apaga?! Fica escuro. Você pisca, torna a piscar e não vê nem um feixe de luz a sua frente. Você tenta acostumar-se a escuridão, fecha os olhos, e assustado se recosta a uma parede e passa a respirar com certa dificuldade. Acontece então o famoso ‘medo do desconhecido’.
Quer gritar, mas as palavras estão engasgadas em sua garganta. Então você se pega sozinho. Conforme o tempo passa, esse medo vai crescendo dentro de você. É então que vem as lagrimas. Lagrimas que se tenta evitar mais que teimam em correr por sua face. Cansado de não enxergar uma saída naquela escuridão então você cai no chão. O medo transformar-se em raiva. Raiva porque você não entende o “porquê” das pessoas que você mais ama não te buscarem. Você se encolhe, abraça seus joelhos e começa a alimentar essa raiva, chorando novamente de ódio por acreditar que as pessoas se esqueceram facilmente de você.. e você, por mais que queira não consegue tirar esse maldito sentimento do seu peito. Você já não entende porque ainda ama, porque sente ódio e porque ainda espera.
Espera. Tenta conviver num novo ambiente, quase que desconhecido. Tenta encontrar uma nova maneira de ser feliz, mas as recordações sempre te matam e você não entende as razões da vida ter te jogado naquele ambiente desconhecido e escuro. Percorre tudo ao seu redor, tenta adaptar-se mais se sente como um ser que definitivamente não pertence a aquele lugar.
Então apela. Consegue gritar. E o grito vem cheio de raiva. Então você decide ignorar o que sente e sai caminhando pela vida, atropelando a tudo e a todos evitando olhar para trás. Evitando ouvir, escutar, ver, lembrar. Esquece é a palavra de lei. Mais no primeiro deslize, na primeira musica, na primeira foto, vídeo, você encontra mais uma vez lembrando de tudo o que já viveu. Do passado recente que já não volta mais. De um passado que trazia a esperança de um futuro feliz.
Sem entender seu comportamento, você decide atingir a pessoa que já não te procura atingindo-a onde você sabe onde mais a machuca. Faz tudo aquilo que ela condena, tenta convencer a todos que você está melhor assim, sabendo que quase ninguém engole essa sua nova ‘vida’. O silencio te mata. A escuridão persiste. Você então apela. Corre, grita, dança e ri descontroladamente tentando extravasar a dor que teima em machucar. Dor que teima em habitar o seu peito. O seu corpo.
Escondido você busca saber se realmente foi esquecido.
E certo momento você constata que não. Mais tem duvidas. Não entende. Porque então as coisas não podem ser mais fáceis? A escuridão não passa e o abraço que você espera não chega. Fecha os olhos e sorri, percebendo que a raiva que queria sentir pouco a pouco vai se apagando. Então se senta de novo no chão e já acostumado a aquele novo ambiente apega-se as recordações.
O melhor riso, sorriso, beijo, abraço, declaração.. a melhor noite de sexo, reconciliação. O melhor do melhor.
Então bate uma saudade imensa. Saudade aquela que faz seu coração bater aceleradamente. Saudade que te faz buscar em todos os rostos o rosto dele. Em todos os aromas o perfume dele. Em todos os olhares os olhos dele.
Cansado de lutar contra algo que você já sente que não tem mais controle. Levanta-se, enxuga as lagrimas e finalmente consegue gritar algo. E nesse grito facilmente todos ouvem que finalmente você diz claramente que você precisa de ajuda.
Então quando você menos espera, ao abrir os olhos enxerga uma luz mínima no fim do túnel. Ouve uma voz de longe, aspira um perfume conhecido e finalmente se dá conta que ela nunca te esqueceu. Te abandonou. Ela simplesmente, por todo esse tempo somente: te esperou.
Não é questão de perdoar. Não é questão de desculpar. Sabe porque? No amor rende-ser faz parte. Significa, para o outro, que você é humano. E ser humano significa que você erra e aprende com esses erros. Que você tem medo. Que você sabe que não é perfeito e que tenta pouco a pouco, com o auxilio de alguém, consertar essas pequenas imperfeições.
Então você se dá conta que é um ser humano passível de erros, que sim sente orgulho, mais que orgulha-se mais de superar esse orgulho do que lamentar-se de não tentar. De não seguir. De não caminhar. E de ter a certeza de não ter feito o possível e o impossível para reconquistar a certeza e a segurança de um futuro que você sonhou, construiu e planejou. Que por um tempo ficou guardado nas recordações. Mais que está ali sempre disposto a acontecer. Basta alguém querer. Alguém dar o primeiro passo. E basta os olhares se cruzarem.
Ou o destino dá as mãos ou segue caminhos opostos. É ou não é.
E ai setembro te dirá se essa primavera trará ou não mais belas e perfumadas primaveras.